Manual da Sapatão – parte I

Depois de anos de muita prática e estudo, finalmente posso delegar às mãos do meu amado e querido público o Manual da Sapatão. Um livro base, indispensável a todas as sapas conectadas, veteranas ou iniciantes, no qual vou explicar com muita perícia todas as nuances de nosso mundo. Vamos lá.

O Início: Descobrindo-se na Sapatisse

Existem casos e casos de como chegar à autopercepção da própria lesbiandade. O importante é coachar do seu jeito. Alguns casos são bem clássicos. Vejamos.

a) Você sempre soube. Desde pequenininha. Nunca viu graça nas suas barbies. Elas, sim, eram enfeite nas empoeiradas prateleiras de seu quarto. Sua vida era jogar bola com o pessoal do bairro. Brincava mais com os meninos. Gostava de bolas de gude, de pipa. Você gostava de ficar sem blusa. E por isso, entre outras coisas, já ouviu os clássicos “Maria sapatão, sapatão, sapatão. De dia é Maria, de noite é João”, e “Paraíba masculina: mulher-macho sim, senhor” – cantados especialmente em sua homenagem. Ou nem tudo isso, tem umas bem femininas, mas de espírito lésbico mesmo. Então o primeiro beijo fluiu cedo. Logo primeiros amassos, primeira transa. E nunca, jamais, beijou um garoto. E nem vai. São lésbicas admiráveis essas.

b) Tem o caso da adolescência. Você é bem jovem quando se descobre. Sente aquele tombo pelas amiguinhas. Tem vontade de abraçá-las mais do que o normal das coleguinhas heteros; tem uma vontade irresistível de observá-las depois que seus corpos amadurecem… Isso também porque sempre reparou nas curvas das mulheres mesmo. Se apaixona por uma, ou duas. E daí é simples, simples. Você já começa a se vestir de um jeito mais diferenciado – quem sabe, tipo assim, como um boy, se for o caso. Conhece outras sapinhas da sua idade, e logo logo já faz parte de seu próprio brejo. Com sorte sua família não expulsa você de casa ao descobrir, se descobrir.

c) Se demorar mais, porque acontece, e é normal… Já na maturidade, passou a adolescência. Você chega em determinado ponto de sua jovem vida e acha estranho o fato de não conseguir realmente se apegar a nenhum de seus namorados homens. Ou há algum tempo as pessoas vêm te perguntando sobre a ausência de namorados. E você cada dia mais próxima de uma de suas amigas, até se mancar de que está completamente apaixonada por ela. Um simples toque no braço de sua amiga te deixa em outro status, não é isso? Hmm… Agora olha para trás e vê que tudo se encaixa… E aquele ciúme exagerado pela sua melhor amiga no colegial, né? Olha aí…

d) Você já tem uma certa idade. Quem sabe uma solteirona. Mas, claro, é sempre aquela coisa: “Sou simpatizante”. Talvez seja aí que você se engane. Porque você tem várias amigas lésbicas, vários amigos gays, anda em ambientes GLS, e se identifica com tudo. Mas põe a mão no peito e diz “Não sou”? Não sei não, hein. Desconfio. Vai morrer no armário, se brincar. Mas ainda assim, como somos todas pertencentes ao mesmo clã, facilito sua vida: se aceite. A primeiro passo é dizer a si mesma: “Sim, eu sou sapatão”. Depois chupar uma buceta de vez em quando vai fazer parte da sua vida.

Sapa iniciante

Uma resposta to “Manual da Sapatão – parte I”

  1. Eu recomendo: O Manual da Sapatão « Bolacha Recheada Says:

    […] Oi, leitora. Para abrir essa segunda-feira, um achado de utilidade pública para as lésbicas:  O MANUAL DA SAPATÃO –  muito bem escrito pela Isabela, no blog Notas Impacientes. Acho que os engajados bem poderiam […]

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