Manual da Sapatão – parte IV

As Muitas Faces do Meio Gay

Pois é, querida sapa. Ajoelhou, vai ter que rezar. Entrou pro brejo? Garanto que também deu o ar da graça no meio gay. E é esse mesmo o que domina, e tem suas características. O meio LGBTIQQ (peguei a sigla maior para dizer que abarca todas as possibilidades, não só os gays ou só as lésbicas) tem suas regrinhas especiais. Você ao frequentá-lo as conhecerá. Confira mais uma listinha básica.

– Modinha heteroflex: essa é balela. Uns adolescentezinhos aí colocaram na cabeça agora, talvez por conta da influência da mídia e de seus ídolos, que fazem isso em seus shows. Isso de sair beijando a boca de meninos e meninas. Agora todo mundo diz que é bi. Conversa fiada, só para ficar bonitinho, dizer que tem a cabeça aberta (ao menos isso), mas bi de verdade, não é, não. Até os homo fazem isso. “Não sou gay, sou bi”… É, né. Então tá.

– Ostentação da homossexualidade: ah, essa é estilo de vida. Moda para alguns, que pode ser passageiro. Para alguns fica mesmo. Essa de falar “Eu sou gay” pelos cotovelos, o tempo todo, direta ou indiretamente. Seja comentando sobre relacionamentos (de si ou dos outros), exibindo modos masculinos ou femininos de forma efusiva (é, dando bichada, soltando a franga), se socando nos guetos gays, falando só sobre assuntos relacionado à homossexualidade, à viadagem e à sapatagem. Tem gente que mesmo sendo encubado consegue ser assim.

– Cumplicidade pela orientação: já percebeu, não é? Essa aqui até é legal, se você gostar de fazer amizade. Por um lado no começo parece fútil. Algo como: “Ah, você é gay?” “Sim!” “Também sou gay! Sejamos amigos”. Não são necessárias palavras, mas inconscientemente é isso que acontece. Não importa categoria profissional, classe social, idade, nada, nada. Já viu um hétero fazer amizade com outro por serem héteros? Não, com certeza. Mas o mundo gay é bem menor. Uma forma de proteção, quem sabe. União para a preservação da comunidade. Para um gay ter amigos gays só facilita a vida.

– Ausência de sexismo: é diferente de como acontece no meio hétero, verdade. Pessoas do mesmo sexo biológico se relacionando sexual, amorosa e afetivamente? Elas conhecem o próprio corpo. Não há receios, hipocresias, falsos moralismos, como há entre os héteros. Olha só. Dizem que o os homossexuais são promíscuos. Talvez uma parcela, ora, heterossexuais também, cá para nós. Mas é que não há tabus entre lésbicas e gays, eles se conhecem. Falar pornografias, safadeza, sentimentos, tudo, tudo, na lata, e os processos dos relacionamentos, é bem mais fácil. Não há essa diferença biológica toda. Muito menos papéis pré-determinadados “o macho” e “a fêmea”. Essa parte é boa.

– Relações vazias: está bom. Isso não pertence ao meio gay. Faz parte de alguns guetos, das baladas. Também tem nas baladas héteros. É que os ambientes GLSs são mais restritos. Relações vazias, superficiais. Pessoas que se vêem, sempre saem juntas, mas não são amigas de verdade. Enfim, esqueçamos esse item. Tem muita gente boa, idônea, responsável e de conteúdo no meio gay.

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2 Respostas to “Manual da Sapatão – parte IV”

  1. Paulo Lira Says:

    Olá,

    Andei lendo por acaso esse seu blog e pelo que vejo foi feito recentemente.
    Bem, eu como todo leitor que se preze, me vejo na necessidade de pautar as minhas críticas. Primeiro: você escreve muito bem e pode melhorar ainda mais, caso se dedique. Segundo: É pena que esse seu talento esteja sendo usado para produções desse calibre. Tá certo, hoje em dia é moda os jovens escreverem sobre sexualidade de forma descontraída, afinal é a liberdade de expressão. Mas, não seria perda de tempo? Sim, porque a partir do momento que você dedica horas do seu dia escrevendo coisas do tipo ” Não se admire se você chupar uma buceta de vez em quando”, é sim perda de tempo. Afinal, não vejo nada de construtivo nesses comentários, vejo sim uma atitude infantil de revolta com a própria condição. Se o seu intuito é ser cômica, pode até ser que você consiga, mas se o seu intuito é ser séria, ou criativa, ou inovadora, está longe disso. Por que você não tenta escrever algo mais, digamos, útil? É, porque com essa sua capacidade de ironizar, você bem que podia dissertar a respeito, por exemplo, de como jovens perdem o seu tempo escrevendo bobagens na internet. E, eu garanto que as lésbicas não acham nenhum um pouco engraçado serem tachadas, ou classificadas em manuais com termos chulos. O interessante disso tudo é que essa sua atitude só mostra que a própria classe gay se auto desrespeita e que, por mais que você diga que se aceita, acaba escrevendo um monte de coisas que só “avacalha” mais ainda não só a sua imagem, mas de toda a classe gay. Terceiro: Sócrates nunca foi gay, para sua informação, ele foi casado com Xantipa e teve dois filhos.

  2. Mallika de Lakme Says:

    Olha,
    Quanto ao “relações da vazias” acho que isso nem diz respeito aos guetos, mas a etapas da vida. Deve ter acontecido com a minha avó, no colegial e com a mãe dela também. E eu posso garantir que minha vovó não era de andar em gueto.

    Xêro!

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