Rótulos, rótulos e mais rótulos

Se você acompanha o blog, já deve ter lido um monte de classificações de pessoas do mundo LGBT – em relação a si mesmas e a outras. Tirando os apelidos, existem dezenas de vocábulos para distinguir cada tipo de gay, lésbica e bissexual além de transgêneros, travestis e transexuais.

:P

Como ironia, criaram o termo “pomossexual” para definir aqueles que negam a se encaixarem em qualquer classificação de orientação sexual, papel sexual ou identidade gênero. Esse conceito é muito utilizado com a palavra “queer” (de “esquisito” em inglês).

A Teoria Queer surgiu nos anos 1980, tendo sido criada por estudiosos da questão sexual em gays, lésbicas e mulheres (estudos feministas). A ideologia nega origem biológica de papéis sexuais e identidade de gênero. Segundo eles todas essas classificações e “falsas tendências” de comportamento são resultado de construções sociais. Não que eu concorde com isso.

Faz parte do discurso de muitos héteros e também de vários homos refutar e minimizar a necessidade de tantas classificações e nomes. É como rotular pessoas e colocá-las numa prateleira de supermercado, desprezando o potencial humano delas. Um movimento dizendo algo como “deixe ser”.

Mas quase tudo tem uma face positiva e outra negativa. Compreendo como ponto negativo os mitos que podem envolver uma “categoria”. Por exemplo, um travesti vai ser sempre gay? Não. Um gay masculino vai ser sempre ativo? Também não. Um homem heterossexual se praticar inversão é gay? Muito menos.

Além da padronização das pessoas, o que pode confundir, iludir e enganar alguém sobre si mesmo ou o meio social em que vive. Alguém que descobre ser homossexual não necessariamente é apenas isto: pode ser bi. Outra pessoa que tem conduta heterossexual do mesmo modo. É o que pode acontecer com transexuais. Afinal de contas alguém com o corpo de um gênero pode ter alma de outra.

???

Na minha opinião a importância de nomear diferentes tipos de expressão da sexualidade é o próprio construir uma identidade social para poder desfrutar das vantagens disso: fazer justamente o caminho inverso dos pontos negativos. Assim você legitima e desmitifica as classes. Um motivo e uma boa justificativa.

5 Respostas to “Rótulos, rótulos e mais rótulos”

  1. Mallika Says:

    Eu tô confusa com a nomeclatura. Preciso desenhar pra ver se eu mesma consigo entender…
    Esse tema tem sido sempre relegado à categoria dos assuntos acadêmicos e parece sempre difícil abordar essa questão mesmo com os amigos.

    Ótimo post.

  2. Camila Says:

    “Afinal de contas alguém com o corpo de um gênero pode ter alma de outra.”

    Ah, velho, o “rótulo” será sempre uma parte da pessoa. Um nome. Ninguém é um nome!

  3. Ligia Says:

    Interessante

  4. marcia paula Says:

    Como eu sou uma lésbica convicta acho mais fácil aceitar a definição, aliás eu acho tão simples e prático, imagine dizer para uma mulher que quer te levar pra cama: “Não sou lésbica, sou um ser em constante transformação”…desanimador, não?

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