Religiões, um comentário

Esses últimos dias acabei conversando sobre o tema “religião” com algumas pessoas. Sexta-feira de paixão, época de páscoa, sempre leva a gente a refletir em algo. Algumas pessoas me indagaram o fato de eu não acreditar em Jesus Cristo. Não acredito, sob minha ótima é um mito. Mas creio em deus e tenho crenças religiosas próprias, individuais.

A maior parte do Brasil e grande parte do ocidente é cristão. Viver fechado nesse mundo pode levar alguns a pensar que ou se é cristão ou se tem algo de “mal” e se está distante da religião. Opinião equivocada. Ser anticristo é se opor ao messias do cristianismo. O povo judeu, por exemplo, nada tem contra Jesus, apenas não o crê como messias, salvador. E o povo muçulmano, hindu, budista, afro-religioso, indígena? Também não são anticristo, nem ateus, nem “do mal”.

Distribuição populacional de adeptos de diferentes religiões no mundo.

Para quem não sabe, há várias correntes de compreensão de deus:

– Ateístas: acreditam que não há um ser superior. Há os ateístas agnósticos também, são os que dizem que não existe até que se prove o contrário.

– Agnósticos: acham que não é possível provar se deus existe, mas também dão o benefício da dúvida.

– Teístas/ deístas: são os que acreditam. Tem os panteístas (para os quais deus é uma entidade abstrata ou difusa), monoteístas (deus é um só e personificado), politeístas (há vários deuses personificados).

Deu para lembrar de algumas religiões? As africanas, indígenas, da roma e da grécia antiga são/foram politeístas. O cristianismo, o judaísmo e o islamismo são monoteístas. O budismo e o xintoísmo são panteístas e assim vai.

As religiões com maior número de adeptos são chamadas “religiões mundiais”: cristianos, islamismo, hinduísmo, xintoísmo, budismo, siquismo, espiritismo, judaísmo, fé bahá’í, confucionismo etc. E as diferenças entre elas não se resume à concepção de deus, bem se sabe. Há religiões escatológicas, maniqueístas, messiânicas, redentoras etc.

É interessante como a religião causa cegueira intelectual nos indivíduos. Como se cada uma fosse detentora da “verdade” e existisse desde sempre. Não percebem de como religião é uma construção cultural, ignoram a história de seus surgimentos, e, o pior, agem como código moral (justificando preconceitos) como se a fé (“ligação com deus”), como se estar perto de deus, não fosse a intenção primária.

Sem dúvidas o mais curioso são as contradições e os paradoxos ao explicar o sentido da vida humana e a opinião sobre deus:

– Se deus criou o mundo, quem criou deus?

– Se o deus cristão criou todas as coisas, ele também criou o diabo?

– O deus do cristianismo antigamente era punitivo, e hoje em dia misericordioso: porque e como ele mudou?

– Se só fazendo certos ritos religiosos se tem salvação, e antes daquela religião existir,  todos se davam mal? E os que não são dela, se dão mal também?

– Se antigamente existiram tantas pessoas que “ouviam” e se comunicavam concretamente com deus ou deuses (com frases e tudo), porque hoje em dia não há mais?

– Porque crenças religiosas matam tanto? Os que não se encaixam dentro do ideal daquela religião (ou da vontade de deus) merecem ser assassinados? Mas assassinados?!

– Se deus é onipotente, onipresente e onisciente, porque faz “infiéis” virem ao mundo? (pensando novamente naqueles que nasceram e morreram antes das religiões existirem institucionalmente…)

Tira do blog Um Sábado Qualquer, do Carlos Ruas.

Mas claro, ninguém precisa responder essas perguntas. Uma frase sábia diz: religião não se discute, se aceita. Cada um acredita no que quiser. Segundo Feüerbach, deus não criou o homem, o homem criou deus. Segundo Nietzsche, deus está morto. Segundo eu, as religiões retiram um pouco da humanidade e bastante da intelectualidade das pessoas.

Mesmo levando em conta que a intelectualidade não está no mesmo plano da fé. A quesão é os preceitos religiosos (ou dogmas, ou crenças) afastarem os seres humanos uns dos outros com intolerância e incompreensão e maltratarem indivíduos com punição, penitência, mutilações, clausura, abstinência etc.

Muitas religiões defendem o machismo e o preconceito com a diversidade sexual. Ainda se mata homossexuais por crenças religiosas. Ainda se mata uma mulher adúltera por religião.  Ao longo da história da humanidade as igrejas provocaram verdadeiros etnocídios, genocídios e guerras em nome da suas ideologias.

O problema, obviamente, não está na fé em si, mas sim nos dogmas religiosos (que têm muito de cultural e pouco de sagrado) – e naqueles que os seguem e as professam.

O atual papado proíbe o uso de preservativos, o que facilita a transmissão de HIV/aids em várias regiões do mundo. O jogador de futebol Robinho se recusa a fazer doação para crianças deficientes e carentes sob os cuidados de uma instituição espírita.

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